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 [Período] Trovadorismo

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AutorMensagem
Vitor Pio
Visconde de Santo Tirso
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Mensagens : 28
Data de inscrição : 16/02/2011
Localização : Ourém

MensagemAssunto: [Período] Trovadorismo   Sex Jun 24, 2011 3:49 am

Citação :
    Trovadorismo


    O Trovadorismo foi o primeiro período, ou movimento literário, de língua portuguesa no qual já se é possível caracterizar um estilo de produção poética e ser feita uma delimitação temporal. É importante compreender que, diferente dos divisões históricas do tempo (Id. Antiga, Id. Média, Id. Moderna, Id. Contemporânea), que possuem data de início e término definidas, os períodos literários coexistem no decorrer do tempo o que não impede que uma trova trovadoresca seja produzida fora de seu período áureo.

  • Início: séc. XII (1100-1199)
  • Término: séc. XV (1400-1499)

  • Contexto histórico: o primeiro movimento literário lusófono surge não coincidentemente com a fundação da primeira nação lusófona, o Reino de Portugal, por D. Afonso I, em meados do séc. XII. Um fidalgo que desafia a mãe, aliada dos galegos, os mouros e os castelhanos, e por fim proclama-se Rei de Portugal. Este movimento caracteriza muito o período de transição que vive Portugal. O idioma ainda estava por se separar do galego e não tinha normas definidas.

  • Principais autores: João Soares de Paiva; D. Dinis I; Afonso Sanches; Nuno Fernandes Torneol; etc.

  • Definições académicas:

      1. Cantigas de Amor:

      O eu-lírico é masculino e sofredor. Tipo específico de trova originário da França. O cavalheiro dirige-se a dama amada como algo idealizado e distante. A vassalagem feudal, típica do período, estende-se às relações afectivas e o cavalheiro institui uma espécie de "vassalagem amorosa", do amor cortês. É interessante ressaltar que no idioma português da época, não havia distinção entre palavras femininas e masculinas quando estas terminavam em -or, eis a explicação do porquê o cavalheiros referirem-se às damas assim.

      Neste exemplo, a posição submissa do eu-lírico é ressaltada nos dois últimos versos. A distanciação do português moderno é do mesmo modo visível. A citação do pai da amada caracteriza o aspecto aristocrático presente nas cantigas de Amor. Era feito por aristocratas para aristocratas.

        Cantiga da Ribeirinha

        No mundo non me sei parelha,
        Mentre me for como me vai,
        Cá já moiro por vós, e - ai!
        Mia senhor branca e vermelha.
        Queredes que vos retraya
        Quando vos eu vi em saya!
        Mau dia me levantei,
        Que vos enton non vi fea!
        E, mia senhor, desdaqueldi, ai!
        Me foi a mi mui mal,
        E vós, filha de don Paai
        Moniz, e bem vos semelha
        Dhaver eu por vós guarvaia,
        Pois eu, mia senhor, dalfaia
        Nunca de vós houve nem hei
        Valia dua correa.

        Paio Soares de Taveirós.


      2. Cantigas de Amigo

      O eu-lírico é feminino. A origem é ibérica e não há a relação de suserania-vassalagem comum às cantigas de amor. O aspecto é popular, vulgar e divertido. São rimas simples e fáceis e normalmente eram cantados. Vejamos um exemplo:

        Ondas do mar de Vigo,
        se vistes meu amigo!
        E ai Deus, se verrá cedo!

        Ondas do mar levado,
        se vistes meu amado!
        E ai Deus, se verrá cedo!

        Se vistes meu amigo,
        o porquê eu sospiro!
        E ai Deus, se verrá cedo!

        Se vistes meu amado,
        por que hei gran cuidado!
        E ai Deus, se verrá cedo!

        Martim Codax.



    (...)
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