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 [RP - Exterior] A Delimitação das Fronteiras do Condado

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Ana Catarina de Monforte
Condessa de Ourém
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Mensagens : 517
Data de inscrição : 16/02/2011
Localização : Condado de Ourém

MensagemAssunto: [RP - Exterior] A Delimitação das Fronteiras do Condado   Sab Mar 19, 2011 7:19 pm

Estava-se numa soalheira tarde de inverno, daquelas que pronunciavam a iminente chegada da primavera ao feudo d'Ourém.
Junto ao sopé do morro que albergava o burgo e o Paço condal os camponenses trabalhavam arduamente nos seus campos, desde o nascer do sol até aí, apenas com uma pausa para um almoço nada apetecível.

Da varanda do seu Paço a condessa observava o horizonte enquanto escutava as novas dadas pelo seu almoxarife, Frei Arthur da Cruz.


- Sua Graça, recebi ainda a informação que devido às chuvas da semana passada a ribeira de Seiça galgou as margens junto à aldeia de Castela, causando prejuízos nalgumas cabanas, temos três famílias sem tecto naquele sítio.

A condessa desviou o olhar do horizonte e encarou o velho almoxarife.

- Providencie-lhes abrigo e alguma comida, mande alguém reconstruir as cabanas e reforçar o açude da ribeira para que não se repitam acidentes do género - deu algumas passadas pela sala e deteu-se diante dum quadro do seu pai - Antes do próximo inverno convém prevenir e reforçar o açude a sério, estes remendos não passarão disso, são demasiado frágeis para aguentar as chuvas. Aproveite este tempo soalheiro e trate disso o quanto antes.
- Bom, tem mais alguma coisa a acrescentar? Pretendia concluir alguns trabalhos que tenho pendentes, como sabe, o tempo infelizmente Jah não estica.


O almoxarife, sentado na sua mesa de trabalho movia a sua pena rapidamente, para que nenhuma instrução se perdesse.

- Sim, tratarei disso ainda hoje - Frei Arthur remexeu a papelada que tinha em cima da mesa e releu um pergaminho retirado dentre as folhas - Tenho aqui outra coisa Sua Graça, e é importante. Tratam-se de pequenos conflitos com os camponeses do sítio de Formigais que residem junto à fronteira do feudo, parece que esta não está bem delimitada e os moradores estão a ser duplamente cobrados, pagam o imposto ao abade e a si.

A condessa encarou Frei Arthur com um olhar surpreso e desafio, o almoxarife amedrontado escondeu-se atrás da pequena mesa do seu escritório.

- E só agora me diz isso? Desde quando se verifica essa situação?!

Gotas de suor escorreram lentamente pela testa do frei.

- Sua Gra-Gra-Graça... recebi os tes-testemunhos des-destes acontecimentos hoje de ma-manhã.

Ana Catarina respirou fundo para se acalmar.

- Trate imediatamente de reunir a guarda e as montadas, amanhã mesmo antes do nascer do sol partimos para Formigais. Entretanto trate de redigir uma carta ao abade exigindo explicações, quero que ele se redima! E se necessário for irei eu mesma irei recorrer junto de Sua Majestade para que a situação se normalize e os tributos sejam devolvidos. Entendido?

Acenando freneticamente com a cabeça, após a condessa abandonar a pequena sala o velho expirou e resmungou a sua pouca sorte.

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Ana Catarina de Monforte


Última edição por Ana Catarina de Monforte em Seg Mar 28, 2011 3:15 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: [RP - Exterior] A Delimitação das Fronteiras do Condado   Qua Mar 23, 2011 6:19 pm

O velho almoxarife estava sentado em frente da sua pequena mesa de trabalho feita em pinho daquela região. À sua frente tinha imensas folhas rabiscadas com as instruções que a condessa lhe dera minutos antes.
De pena na mão Arthur pensava nas palavras que iria escrever ao abade.


- Tenho que parecer cordial e seguro - murmurou

Molhou a ponta da pena no tinteiro e desenhou, desta vez com grande precisão, aquelas letras num estilo difícil de decifrar aos olhos mais inexperientes.
Redigida a carta, Arthur ergueu-se e saiu do seu gabinete para chamar uma criada.


- Dona Clotilde, pode chamar o Hermingues ao meu escritório? - pediu ele à senhora que acompanhava a Condessa desde a época em que esta tinha residência na vila alentejana do Crato - necessitava de lhe dar uma palavrinha.

A idosa, que em tempos criara os filhos da condessa, acenou afirmativamente com a cabeça e retirou-se.

Arthur por sua vez sentou-se novamente à mesa. Acendeu uma vela e retirou da gaveta uma concha de ferro, colocou-a sobre a chama para derreter a cera vermelha no seu interior, de seguida deixou-a cair sobre uma fita atada ao documento. Enquanto a cera arrefecia, pegou no sinete com as armas do condado de Ourém e mergulhou-o na cera.

Enquanto lacrava a carta alguém lhe bateu à porta, era Gonçalo Hermingues, o capitão da guarda condal, que fora chamado momentos antes pela velha Clotilde.


- Entre Gonçalo, faça favor de se sentar.

O capitão era um homem de uma grande e invulgar envergadura física, o seu rosto ríspido dava a sensação de já ter passado por muito naquela vida.
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[pnj] Gonçalo Hermingues
Capitão da Guarda Condal
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Localização : Castelo de Ourém, Condado de Ourém

MensagemAssunto: Re: [RP - Exterior] A Delimitação das Fronteiras do Condado   Qua Mar 23, 2011 8:30 pm

- Entre Gonçalo, faça favor de se sentar.

Gonçalo adentrou no escritório exíguo do velho almoxarife.

- Tenho um serviço para si. Uma carta para fazer chegar o quanto antes ao abade, pode destacar algum guarda para que este a leve? - perguntou Arthur da Cruz

O capitão da guarda mirou o rolo de pergaminho que o almoxarife tinha na mão.

- Muito bem, irei enviar alguém ainda hoje. É tudo?

O almoxarife encostou-se na cadeira e afagou as suas barbas.

- Não, a condessa ordenou que se prepara-se uma escolta para amanhã, não se sabe ainda a duração da viajem, portanto convém levar viveres consideráveis, pois ela pode durar.

- Qual o destino da viajem? - questionou Gonçalo Hermingues

- O sítio de Formigais, fui informado que se verificaram por lá pequenos conflitos devido à dupla cobrança de tributos, parece que o abade decidiu extrapolar as suas terras e exigir taxas aos moradores daquela aldeia junto à fronteira do condado.

- Mas como ousa?! Irei tratar imediatamente dos preparativos da viajem! Depois envio-lhe alguém para o informar do andamento dos mesmos Frei Arthur.

O capitão baixou a cabeça, em sinal de respeito e saiu do escritório do almoxarife.

Gonçalo saiu do Paço condal em andamento apressado e subiu até ao castelo, no topo do morro, onde se encontrou com um subalterno para tratar dos preparativos da viajem do dia seguinte.

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MensagemAssunto: Re: [RP - Exterior] A Delimitação das Fronteiras do Condado   Qua Mar 30, 2011 9:50 pm

Terminados os seus deveres no acanhado gabinete, Arthur levantou-se e deu algumas passadas em direcção à janela, dali vislumbrou o sol e calculou as horas do dia.
Gonçalo ainda não tinha enviado ninguém a avisa-lo do andamento dos preparativos da viajem do dia seguinte. O velho almoxarife pegou no seu chapéu já gasto e saiu do gabinete. Desceu as escadas de madeira que ligava o Paço ao túnel que por sua vez conduzia ao castelo.
Chamou um guarda para que este o acompanha-se e segui-se na frente com um archote para iluminar o caminho. Em apenas dois minutos de caminhada no escuro os dois chegaram junto de uma escada de madeira em caracol, subiram-na e chegaram ao castelo.


- Vai procurar o capitão - pediu o almoxarife ao guarda que o escoltara desde o Paço

Enquanto este corria à procura do capitão Hermingues, Arthur passeou calmamente pelo terreiro interior do castelo de mãos atrás das costas a verificar se os preparativos da viajem estavam a ser cumpridos.
Chegou junto à cavalariça e questionou o jovem que estava a escovar um dos equinos.


- Está tudo em ordem com eles? Bem alimentados e devidamente ferrados?

O rapaz assustou-se, pois não esperava a presença do Almoxarife e respondeu baixinho

- Sim meu senhor, chegou à pouco dos celeiros da aldeia de Sto. Amaro uma carroça com erva verde para os cavalos, a já lhes pus alguma na manjedoura há pouco mais de uma hora, estava agora a escova-los.

O rapaz fez uma festa na crina do cavalo que estivera a escovar e voltou-se para o seguinte.

- Estes estão ferrados, mas há um par deles que precisam de ir ao ferreiro, foram levados à cavalariça da vila.

- Muito bem... - disse Frei Arthur - Quantos cavalos tem disponíveis?

O moço olhou pensativamente para as teias de aranha do tecto e disse:

- Prontos para abalarem já hoje tenho umas seis ou sete montadas. Se não for suficiente pode-se ir à Vila buscar os que estão mal ferrados.

- Não, esses é melhor não levar. E em relação aos asnos para levarem as provisões? Tem algum ou é necessário ir às aldeias requisitar?

- Meu senhor - disse o rapaz - Não tenho nem asnos nem mulas aqui, mas nos campos deve haver.

O almoxarife agradeceu ao moço e dirigiu-se a um guarda.

- Mas afinal onde anda o capitão?

O guarda encolheu os ombros e voltou ao seu serviço.
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[pnj] Gonçalo Hermingues
Capitão da Guarda Condal
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Data de inscrição : 23/03/2011
Localização : Castelo de Ourém, Condado de Ourém

MensagemAssunto: Re: [RP - Exterior] A Delimitação das Fronteiras do Condado   Sex Maio 27, 2011 8:04 pm

Hermingues estava no seu gabinete a interrogar, com outro guarda, um delinquente apanhado a roubar galinhas em flagrante delito. Era um pobre coitado que não tinha tecto nem trabalho, e nem mesmo assim Hermingues se compadeceu dele, mas não era ele que competia julgar estes casos, mas a Frei Arthur, o almoxarife do Condado.

- Já não é a primeira vez que te apanho, meu malandro! - rosnou o capitão - Não te emendes que não tarda ficarás sem uma mão!

O desgraçado encostou a cabeça ao tampo da mesa e começou a chorar. Perante aquilo Hermingues mandou o guarda levar o homem até à cela, que não estava em condições para ser interrogado, nem o capitão estava com paciência para ouvir os seus lamentos.

Hermingues sentou-se e pegou numa garrafa de vinho tinto que tinha no chão, preparava-se para a abrir, para assim acalmar os nervos, quando um guarda entrou de rompante na caserna e lhe solicitou a palavra, trazia um recado do Almoxarife.

- Diga lá o que quer - ordenou Hermingues

O guarda entrou devagar na caserna e disse:

- O Almoxarife pediu para o chamar, diz que é urgente. Ele está na praça-de-armas do castelo à sua espera capitão.

Hermingues olhou para o copo que estava prestes a encher de vinho e para o guarda à sua frente, fez uma careta indignada e praguejou para si por não lhe darem um minuto de sossego.

- Eu vou lá ter com ele, vai continuar o serviço que estavas a fazer - disse o capitão, mais controlado.

O guarda saiu do edificio e pôs-se a correr pelo mesmo caminho que havia vindo. Já Hermingues pegou no seu elmo e colocou-o à cabeça. Antes de sair ordenou ao guarda que ficara de guarda às celas:

- Fica-me de olho nesse aí.

O guarda acenou afirmativamente com a cabeça e Hermingues saiu dalí a passo apressado em direcção ao Castelo. Quando lá chegou encontrou o Almoxarife a falar com o rapaz das cavalariças, apressou-se a juntar-se a ele e cumprimentou-o.

- Frei Arthur, precisa de mim?

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